Tenho um profundo desgosto para com a preguiça moderna que parece reger as atitudes das pessoas que conheço. Uma maldita inércia que nos prende aos braços da incerteza gerada na ausência de gestos; ausência esta que não nos dá negativas ou afirmativas, apenas nos coloca em posição de espera. Digo preguiça porque é o que me parece: que as pessoas tem preguiça de se posicionar, dizer a que vieram e nos permitir assim resolver para onde vamos. Soa-me mais como egoísmo, talvez egocentrismo - um capricho de quem não nos dispensa mas também não nos quer ver partir, deixar de estar à sua disposição ainda que lhe falte o desejo por nossa presença. E sei que somos livres, que não temos ou devemos depender de qualquer sentença, mas o que me tira o sono são as possibilidades, a incerteza pesarosa de que talvez se pudesse (eu) fazer algo mais, dizer algo mais - uma palavra catalisadora que desencadeasse todas as outras. Não que eu delegue a função de iniciar ou findar determinadas situações unicamente ao outro, muito pelo contrário, ainda que pareça essa a queixa. Mas queixo-me dos que fazem do silêncio e imobilidade uma zona de conforto, uma sala de espera onde estes repousam em pedestais enquanto nos fazem contar as horas imersos em nossas expectativas. Queixo-me dos que não me fazem o favor de dizer "não" quando lhes faço um convite, quando lhes faço qualquer proposta que seja e esta não é aceita. Dos que fazem boçalmente do silêncio uma negativa subentendida. Ora, por favor, falem! Falem que não, que não querem, que não podem, que não estão dispostos. Digam-me que não sentem-se atraídos, que conheceram outras pessoas, que o interesse acabou. Apenas digam-me com todas as letras, para sim ou para não. É tudo o que peço. Brincar de adivinhações nunca foi de meu agrado. E ao contrário do que pensam, este tipo de suspense não tende a deixar as coisas mais interessantes. Em um mundo adulto, é a objetividade que o faz.
- depois de tudo que li, vou preferir a divagação das intercorrências que passam aqui dentro [da cachola e do peito] a respeito do silêncio do outro.
ResponderExcluirem um mundo adulto existe tudo menos a certeza.
ser - no momento presente - é o resultado de tudo que fomos um dia e de tudo que está por vir e, talvez, por essa razão, pode ser o motivo catalisador do silêncio do outro - se é que me entende. talvez as ausências, os invólucros do vazio, as salas de espera, enfim, sejam os motivos cabais, as desculpas escusas para ainda ser aceito, indiscriminadamente.
como também o silêncio pode ser o sintoma, uma válvula de escape do íntimo que esconde algo ainda mais profundo. nem sempre sim ou não são verdadeiros denotando uma garantia real. eles também podem ser somente desculpas. e às vezes, os silêncios dizem muito. dizem mais que qualquer dicionário.
ps: obrigado pela possibilidade de viajar na veneta, rsrs.
grande abraço. continue escrevendo. sempre!